Inspeção arquivou disparo de GNR que atingiu rapper na Feira

A Inspeção-Geral da Administração Interna (IGAI) arquivou o processo de averiguações do incidente envolvendo militares da GNR, na manhã de 1 de janeiro passado, em que foi baleado, com gravidade, um jovem conhecido pela atividade como rapper, sobretudo, na cena musical nortenha.

Um dos guardas atingiu Fábio Ribeiro Vitó, conhecido como NTS, 21 anos, quando seguia num automóvel que terá desrespeitado ordem de paragem dada pela patrulha ao circular na localidade de Riomeão, concelho de Santa Maria da Feira.

O gabinete da inspetora-geral, juíza-desembargadora Maria Margariada Blasco, após pedido do nosso jornal, informou, sem mais desenvolvimentos, que o processo de averiguações foi arquivado através de despacho, em fevereiro passado, por “não se ter operado indícios de infração disciplinar e autuação do militar visado”.
Embora solicitados formalmente, em várias ocasiões, nas últimas semanas, a prestar esclarecimentos sobre o caso, tanto o comando geral como a Inspeção da GNR não responderam às solicitações.
Fábio Ribeiro Vitó, pela sua parte, disse aguardar o desenrolar do inquérito a cargo do Ministério Público da Comarca de Santa Maria da Feira.
O jovem rapper depôs na Polícia Judiciária (PJ), que assumiu as investigações, e terá de fazer uma perícia médico-legal quando terminar a fisioterapia para avaliar o seu grau de incapacidade física, nomeadamente na perna atingida.
“Tudo bem que cometemos uma infração, mas sou um mero passageiro e o guarda não pode tomar aquela atitude, em que o carro estava parado e não havia ninguém em perigo. Não aceito o disparo como recurso”, afirmou, esperando que o processo chegue a tribunal para se apurar responsabilidades.
De acordo com informações policiais reveladas aquando o incidente, a 1 de janeiro, domingo, o jovem foi baleado pouco depois das 7:00, durante uma operação Stop.
O projétil terá entrado no estômago, vindo a sair pela nádega e a alojar-se no assento do automóvel.
Assistido no local pelos meios de socorro (Bombeiros e INEM), seria transportado para o hospital de S. Sebastião, na Feira, onde hora e meia depois foi sujeito a cirurgia para correção de lesões abdominais provocadas pelo disparo. Passou as horas seguintes com  prognóstico reservado nos cuidados intensivos submetido a ventilação mecânica. Receberia alta cerca de dez dias depois.
A GNR comunicou o caso à Polícia Judiciária (PJ) do Porto. A guarda assumiu logo que Fábio Vitó tinha sido atingido por um dos militares da patrulha da Unidade Nacional de Trânsito (UNT) do Porto, justificando a reserva quanto às circunstâncias para não interferir nas investigações.  
O jovem baleado seguia de automóvel conduzido por um amigo e ainda com uma rapariga no banco de trás a caminho de casa, em Riomeão, depois de ter estado numa festa de passagem de ano.
Ao darem com a GNR, inverteram a marcha mas acabariam por ficar bloqueados pela patrulha. Só depois o condutor se terá apercebido que o colega no lugar do ´pendura´ fora atingido por arma de fogo.
Os bombeiros da Feira foram chamados pela guarda inicialmente para “um acidente” . No hospital é que se terá constatado que os ferimentos eram de outra natureza. Indignados,  famíliares e amigos da vítima chegaram a acusar a GNR de pretende “ocultar” o caso.
Segundo um amigo do rapper, Vitor Couto, produtor musical, a família tinha sido informada no posto da GNR “que o militar escorregou e disparou sem querer”.

in Noticias de Aveiro

 

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