'Rapper' moçambicano responde a carga policial com música

"M.I.R - Música de Intervenção Rápida", é o título da música de Azagaia feita a propósito da ação da polícia durante uma manifestação em Maputo.
O músico moçambicano Azagaia lançou, esta semana, uma canção que reage à carga policial, de há um mês, contra os desmobilizados de guerra, "assunto" que diz ser um "atentado contra os direitos humanos" e que não deve "ficar adormecido".
No mais famoso portal de vídeos da atualidade, Edson da Luz, reconhecido pelo nome artístico de Azagaia, publicou a música "M.I.R - Música de Intervenção Rápida", numa clara alusão à unidade policial moçambicana Força de Intervenção Rápida (FIR), protagonista da ação contra os desmobilizados.

"Achei isso [carga policial] um absurdo, porque é um direito constitucional dos moçambicanos manifestarem-se, e esse direito foi violado", disse Azagaia à agência Lusa, explicando as razões para a composição da faixa.

"Pintado" com imagens recolhidas pelas televisões moçambicanas no dia dos confrontos, que se desenrolaram na baixa de Maputo, a escassos metros do edifício onde o Governo moçambicano se reúne todas as terças-feiras, o teledisco reapresenta o estilo de "intervenção" que granjeou ao artista atenções mediáticas.

"Avisem o conselho de ministros/que na próxima terça-feira/eu levo um par de gira-discos/e colunas lá para a feira/com milhares de quilowatts para os camaradas/vou ligar os microfones/e lançar um jato de palavras", canta Azagaia no refrão de "M.I.R".

"Mesmo que houvesse alguma irregularidade [na manifestação], não era com violência que se devia responder, porque, para além de terem violentado pessoas com alguma idade, colocam a sociedade toda apavorada e com receio de dizer aquilo que pensa", considerou o músico.

As declarações da ministra da Justiça moçambicana, Benvinda Levy, sobre a ação das forças policiais - "os direitos humanos devem ser sempre respeitados, mas há circunstâncias em que o poder do Estado tem de se sobrepor para acautelar direitos mais altos" - dão mote ao primeiro verso da música.

"Ah!Ah!Ah! Senhora ministra cuidado com as palavras/Se não fosse o sangue do povo/nem sequer governavas", canta Azagaia, que no vídeo encarna a figura de um desmobilizado de guerra.

Sobre as mais de seis mil visualizações que o vídeo regista ao final de poucos dias da sua divulgação, o músico entende que "é um reflexo da pertinência do assunto".

"Acho que é uma coisa que as pessoas viram e não gostaram, e agora ao ver ser retratado numa faixa musical, neste caso num vídeo, sentiram-se identificadas e querem, como eu supunha, voltar a falar sobre isso. É como se fosse uma espinha encravada na goela de muitos", conclui.

Azagaia está a finalizar o seu segundo álbum, "Kubaliwa", que deverá ser lançado ainda durante este ano, e que vai abordar temáticas como "o preconceito e a precariedade".

in Expresso

 

Partilhar
Google+