Entrevista com Deck 97

Deck 97 é um dos elementos da Body Rock Crew juntamente com Maze e D-One embora tenha outros projectos paralelos à música como a fotografia e o design. Começou como writer e foi esta vertente que o manteve ligado ao movimento Hip-Hop e lhe abriu outras portas. Uma vida a 90 bpm's que os leitores da HipHopWeb poderão conhecer na entrevista que se segue.

 

 

 

A Body Rock Crew, que tem sido presença obrigatória nas festas com mais groove do Porto, como surgiu o convite para este projecto?
Bodyrock começou no Café au Lait nas galerias de Paris, já ha quase 4 anos,na altura eu tocava lá e havia um saudosismo das noites de hiphop do Comix, um sítio onde semanalmente sabias que podias ir beber um copo e ouvir bom rap! Lembrei-me de juntar à quinta-feira nas galeria dois amigos de longa data que partilham os mesmos gostos e o mesmo amor ao rap, funk e soul, o Maze com seu incrível bom gosto e o D-one pela grande técnica, Bodyrock surgiu assim naturalmente...Apesar dos 3 terem gostos muito parecidos há também diferenças, uns mais funk e soul, uns mais rap 90´s, outros mais club... De certa forma complementamos nos, mais que dar "espectáculo" gostamos de partilhar bons discos e passar um bom bocado.


Qual foi a data e sítio preferido onde tocaste este ano?
Foram alguns,é sempre difícil nomear uma data específica, houve grandes noites no Armazém do chá, no Gare, Pitch...mas tocar no Hardclub teve um gostinho especial.


Tem sido positiva esta experiência como DJ?
Tem sido recompensadora sobretudo, nunca esperei que Bodyrock tocasse tanto ou tivesse tanto feedback positivo ou que durasse tanto tempo e estivesse para ficar...No entanto e apesar de tocar ha muitos anos nunca me assumi como DJ, acho que um DJ é muito mais que um gajo atrás de uns pratos que sabe acertar bpm´s e faz uns scratch´s básicos. Gosto apenas de girar bons discos, toco muito "para mim" quando estou na cabine e o facto de agradar ao público que ouve por si só, é recompensador nesse aspecto.


Podes revelar qual foi o último vinil que compraste?
Já foi comprado mas ainda está para chegar, é disco muito especial, uma re-edição de 2010 de Souls of Mischief - 93´ till infinity, um clássico.

Além do teu interesse pelo Djing, tens uma relação muito forte com as artes em geral, dos teus projectos de fotografia, design, ilustração há algum que te tenha marcado particularmente?
Houve vários, cada trabalho é um desafio novo e eu gosto sempre de tantar dar mais do que no último, tentar dar sempre aquele step-up...acho que a capa do "Arte de viver" dos Dealema foi marcante em varios aspectos, pelo significado especial, por ter sido criado o tudo a partir do nada e com uma equipa incrível e dedicada, pelas pessoas com que trabalhamos, pelo resultado conseguido em contra-relógio e por ter tido a divulgação e boa recepção que teve, podem ver o video do making-of na pagina do facebook do Studium.
Normalmente os trabalhos que á partida são quase impossíveis, seja por prazos, budget ou limitações físicas são os que dão mais gozo fazer e regra geral têm sido os que melhor resultam apesar das dificuldades. Os desafios foram feitos para serem superados!Ou pelo menos tentar...


Para os interessados onde podem ver o teu trabalho e como entrar em contacto contigo?
Podem  ver no facebook em facebook.com/Studiumdesign e através do site www.studium.com.pt.


Como consideras a tua ligação ao grafitti?
O graffiti foi a génese, o começo, foi o que me trouxe aqui, que me influenciou todos estes anos e que me manteve tão ligado ao movimento. Apesar de já não pintar ha algum tempo e ser cada vez mais dificil para mim fazê-lo por motivos profissionais sinto-me honrado e agradecido, honrado por ter feito parte da história do graffiti no Porto, por ter estado lá quando tudo começou e ter deixado uma marca nesta cidade...e agradecido por me ter dado um rumo e me ter trazido onde trouxe por me ter cruzado com aqueles que hoje são a minha família.

 

Achas que cultura do hip hop em evoluiu juntamente com o graffiti?
Acho que sim, apesar de em determinados pontos terem quase evoluído em caminhos diferentes, acho que apesar de tudo o graffiti mantém-se mais real nos dias de hoje ainda que haja a moda do street art de galeria e comercial que detesto mas houve nos últimos anos um boom enorme em todas as vertentes, no bboying, nos mc´s e produtores, nos DJ´s...há mais do que nunca, claro que com a quantidade e massificação também há uma enorme quantidade de valores perdidos e 90% dos que aí andam para a semana já cá não estão, contudo a fatia de qualidade que vai ficando também aumentou! Há mais de 12 anos atrás aqui no Porto contávamos pelos dedos de uma mão o pessoal que pintava paredes e com a outra contávamos os MC´s e DJ´s, hoje em dia há festas com rap todas semanas,sexta e sábado em 3 sítios diferentes, há 30 bandas, 20 dj´s 15 produtores e 800 B-boys de ginásio...por outro lado por exemplo no que toca a graffiti vi uma mudança de mentalidades a par com a evolução e skill de quem pinta nos dias de hoje, agora é fácil legalizar um muro, é facil ter acesso a latas a preços ridículos, há iniciativas e concursos, jam´s e mais importante, grandes muros! Todos os elementos do hiphop evoluiram de forma gigantesca mas acho que o graffiti elevou-se a um outro nível, a evolução foi muito mas muito grande.


Quais são as tuas maiores influências?
Ainda hoje são sobretudo aqueles que me colavam durante horas a ver as mesmas peças vezes sem fim "Back in the days", Seen, Dondi, Tats cru, Delta, Cope2, Daim... por cá o icónico Saxe (exas), youth e Wize (nomen).


Podes numerar o top 5 das músicas que marcaram a tua vida?
Essa é das difíceis,é impossível eleger só 5..
Gangstarr - Full Clip
Arsonists - Venom
Das Fx - Real Hiphop
The Bush Babees - We run things
Masta Ace - Good Ol´Love


Que projectos futuros te esperam?
Há aí algumas coisas a marinar...um upgrade a Bodyrock com algumas noites em Lisboa também, alguns álbuns para sair em breve, a grande tribulação de Dealema, Deau, Porte, Kron e SoundKillaz...e mais alguns que ainda não posso falar!

Por fim, podes deixar uma mensagem para os visitantes do HipHopWeb?
Sejam reais, criem, evoluam, façam-no por amor e não por amor á ilusão. Vivam a 90 bpm´s e levem isto a bom porto!

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